TJ AC
Escola do Poder Judiciário do Acre realiza visita técnica à Escola da Magistratura de Rondônia
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Intercâmbio permitirá adoção de boas práticas para aperfeiçoar serviços oferecidos a magistradas, magistrados, servidoras, servidores e à sociedade
Servidores(as) da Escola do Poder Judiciário do Acre (Esjud) visitaram a Escola da Magistratura do Estado de Rondônia (Emeron), com o intuito de aperfeiçoar e modernizar a formação e a capacitação dos(as) integrantes da Justiça Acreana.
Os(as) profissionais conheceram a estrutura e a dinâmica de funcionamento da Emeron, considerada uma referência no Brasil enquanto Escola Judicial e de Governo.

A agenda foi solicitada pelo diretor da Esjud, desembargador Luís Camolez, que tem buscado desenvolver elevado padrão de excelência no Órgão de Ensino.
A visita
Durante três dias seguidos (de 16 a 18 de dezembro) a comitiva inteirou-se dos processos, da cultura e dos serviços oferecidos pela escola rondoniense, a exemplo das áreas de ensino, de gestão documental, pesquisa, avaliação, certificação e comunicação.
Ao compartilhar as boas práticas, como o Laboratório de Inovação (Labin) Gênesis, a Emeron auxilia para ampliar a parceria iniciada com o sistema de gestão. A tendência, aliás, é que em breve uma nova versão do EmeronWeb seja implementada na Esjud.



Quem foi
A imersão técnica foi composta pelos servidores Allan Diego, Alícia Rodrigues, Alexandre Oliveira (que atua no Palácio da Justiça), Ester Hanan, Graiciane Bonfim, Isamara Nogueira e Marcos Alexandre. Foram recebidos(as) por diversos setores da escola local, a exemplo da Divisão de Planejamento Técnico-Pedagógico (Diped), do Centro de Pesquisa, Inovação e Publicação Acadêmica (Cepep), do Departamento Pedagógico (Deped), do Dead, que é o Departamento Administrativo, da Divisão de Formação e Aperfeiçoamento (Difor) e da Assessoria de Comunicação (Ascom).

O cronograma teve participação de diversos colaboradores, como Marciane Rossi, diretora do Deped, Evanice Batista, do Dead, Felipe Estigarribia, do Labin, e Daiana de Brito (Gabinete da Secretaria Geral), da qual, até então, o titular era Miguel de Lima, que contribuiu no primeiro dia. As atividades foram concluídas no Centro de Memória (que é o museu) da escola vizinha.
Opinão
“A visita técnica à Emeron muito nos alegra, pois permite conhecer uma escola que, com elevada competência técnica e acolhimento, nos inspira e ensina. Espelhamo-nos nesse progresso e no processo de desenvolvimento do nosso Órgão de Ensino. Assim, agradecemos o acolhimento da Emeron ao receber a Esjud. Nosso muito obrigado ao Diretor, desembargador Alexandre Miguel e toda sua equipe”, avaliou Graiciane Bonfim, coordenadora de Controle e Monitoramento da Escola Judicial Acreana.
Outro membro da equipe da Esjud analisou a oportunidade do intercâmbio e os próximos passos. “Foi uma semana bastante produtiva, com encontros marcados pelo diálogo e por uma maior aproximação das escolas. Pudemos compartilhar experiências e saberes, inclusive na estratégica área de Comunicação. Também conhecer e captar as boas práticas da Emeron, que permitirão aperfeiçoar os serviços que oferecemos a magistrados(as), servidores(as) e à sociedade”, disse Marcos Alexandre, chefe da Divisão de Comunicação e Cerimonial da Esjud.




Pedagogia e Assessoria da Esjud
Representando a Coordenadoria de Planejamento e Gestão Educacional, Isamara Nogueira considerou o atual momento da escola que, segundo ela, passa por um processo de reestruturação. “Isso que despertou em nós novas necessidades e o desejo de repensar como podemos aprimorar nossas atividades educacionais e administrativas. Temos a Emeron como modelo de excelência e nosso principal norte, considerando sua organização eficiente e o crescente sucesso demonstrado, inclusive pela conquista do Selo Diamante no Prêmio CNJ de Qualidade”, afirmou a pedagoga.
Já a assessora técnica, Ester Hanan, assinalou que o objetivo foi fortalecer a cooperação entre as escolas judiciais, conhecendo in loco as soluções pedagógicas, tecnológicas e de gestão adotadas na Escola da Magistratura de Rondônia. “Essa cooperação institucional visa identificar boas práticas que possam ser adaptadas a nossa realidade e implementadas em benefício da formação interna, contribuindo assim para uma prestação jurisdicional ainda mais qualificada ao cidadão acreano”, finalizou.
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
No Dia dos Povos Indígenas, TJAC destaca ações de cidadania que garantem direitos à população originária
Medidas ampliam acesso à documentação, serviços públicos e reconhecimento da identidade indígena; confira a reportagem especial
Os povos originários sempre influenciaram a cultura e a história do Acre. O nome do estado deriva de “Aquiri”, termo da língua dos indígenas Apurinã que habitavam a região e significa “rio dos jacarés”. A culinária também é marcada pela presença de ingredientes nativos, como mandioca, tucupi, jambu e peixes, sempre presentes na mesa dos acreanos.
Essa relação com os povos indígenas é uma característica marcante do Acre, que concentra uma grande diversidade de etnias em seu território. São pelo menos 15 povos diferentes, além de grupos isolados. Segundo o Censo 2022, a população originária corresponde a cerca de 32 mil pessoas. Há 35 Terras Indígenas (TIs), o que representa 14,56% do território estadual.
Diante da expressiva presença indígena, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) tem adotado estratégias e medidas para garantir a proteção dos direitos dos povos originários. Neste 19 de abril, data em que se comemora o Dia dos Povos Indígenas, confira, nesta reportagem especial, as ações desenvolvidas pelo Poder Judiciário acreano em prol da população ancestral.
Corrigir documentos é reparação histórica
Historicamente, os indígenas enfrentam preconceito para registrar nome e identidade étnica. Ciente disso, em abril de 2025, a Corregedoria-Geral da Justiça do Acre (Coger) aprovou uma norma que possibilita a retificação da certidão de nascimento sem a necessidade de ação judicial. A medida se baseia em uma resolução conjunta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

A ideia do Judiciário acreano é agilizar a alteração do nome e sobrenome, a inserção da etnia e a correção nos documentos de pessoas autodeclaradas indígenas. A instituição entende ser necessária uma reparação histórica com os povos ancestrais do estado, ainda alvos de preconceito e discriminação.
Por isso, o procedimento foi facilitado. Anteriormente, era necessário ajuizar uma ação para realizar qualquer alteração no registro. Agora, o processo ficou mais fácil, rápido e barato. Basta solicitar ao cartório extrajudicial mais próximo, caso a mudança seja para corrigir equívocos históricos, como a ausência da etnia ou do sobrenome na certidão de nascimento.
Cidadania para todos
O TJAC também tem realizado ações que facilitam o reconhecimento da diversidade cultural e da autodeterminação dos povos indígenas no Acre. A principal delas é o Projeto Cidadão, trabalho social que facilita o acesso gratuito à documentação e a serviços públicos. Desde 2021, a instituição realiza edições direcionadas à população originária, sendo os atendimentos promovidos dentro das próprias comunidades.




A medida permite superar as barreiras logísticas no atendimento à população indígena, especialmente em áreas remotas. Até o momento, uma variedade de etnias do estado foi beneficiada, como os Puyanawa, Huni Kuin, Kulina, Kampa, Madja, Nukini, Nawa, Shanenawa, Ashaninka e Manchineri. Essa lógica aplicada pelo Judiciário acreano rompe com o histórico de exclusão ao descentralizar os serviços públicos e garantir acesso equitativo.
Entre os serviços mais buscados estão a retificação de documentos, como certidão de nascimento e identidade, bem como a formalização da união por meio do casamento coletivo. Como novidade da atual gestão, foram incluídos atendimentos da Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes) e da Coordenadoria das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cosiv).
Compromisso com as pessoas
Em 2025, a primeira edição do Projeto Cidadão realizada na administração do desembargador Laudivon Nogueira ocorreu na Aldeia São Vicente, do povo Huni Kuin, em Tarauacá. De acordo com o chefe do Judiciário acreano, o propósito da ação foi demonstrar o compromisso do Tribunal de Justiça com a inclusão social, principalmente das populações indígenas: “Mostrar que é uma instituição parceira da sociedade, não só no julgamento das causas, mas na construção de uma cidadania ativa”.




O cacique da aldeia São Vicente, Amẽ Huni Kuin, falou da satisfação em não precisar sair por horas ou até dias para obter atendimento: “Estou falando diretamente da minha casa, do meu povo, da minha aldeia, dentro da floresta. Esse é um sonho realizado”. O líder indígena acrescentou sobre a sensibilidade do Poder Judiciário às necessidades específicas dos povos originários: “Somos parceiros para virem fortalecer a nossa união, fortalecer a nossa cidadania”, afirmou.
Ibatsei Huni Kuin aproveitou o projeto do TJAC e solicitou a documentação de seus quatro filhos, três garotos e uma menina. “É muito longe para eu ir para a cidade daqui. É importante virem aqui para a gente poder tirar documento”, explicou. Em Santa Rosa do Purus, o casal Manoel e Josefa, ambos indígenas, disseram “sim” oficialmente e selaram a união de mais de 30 anos no casamento coletivo.
Continuidade dos serviços à população indígena
Este ano, o TJAC já garantiu a emissão de documentos básicos a sete povos indígenas. Foram mais de 140 pessoas atendidas — um esforço contínuo da instituição para combater a invisibilidade social dessa população. Nesta primeira ação, o Tribunal ofertou uma vasta gama de serviços públicos, em especial nas áreas da saúde e da assistência social.
O Tribunal de Justiça prevê, ainda, ao menos cinco edições do Projeto Cidadão voltadas aos povos originários em 2026. Conforme o calendário de ações, o primeiro atendimento está previsto para junho, com a etnia Katukina; em agosto, na cidade de Feijó; em novembro, na Terra Indígena Nukini e na Comunidade São Salvador, ambas em Mâncio Lima; depois, em Santa Rosa do Purus; finalizando, em dezembro, no município de Jordão.









Fotos: Elisson Magalhães e Gleilson Miranda/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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