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Um novo tempo, portas abertas e cidadania

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Gestado em 1995 para enfrentar a evasão escolar por falta de documentos, o Projeto Cidadão se expandiu e fez história na construção de direitos e cidadania para população acreana

Na pulsante Amazônia, onde os rios se entrelaçam e a floresta sussurra memórias e futuros possíveis. Lugar onde o acesso muitas vezes depende da vazante ou da cheia dos rios, as estradas nem sempre apresentam boas condições, levar cidadania é um desafio que exige planejamento, persistência e compromisso. 

Foi nesse cenário que ergueu-se uma iniciativa que ampliou o próprio significado do que é Justiça: o Projeto Cidadão, do Poder Judiciário do Estado do Acre. Nascido em 1995 ele prova que o direito não é apenas sentença nos autos, mas também é presença que garante identidade, voz e pertencimento. 

Ao celebrarmos essa jornada em 2025, que vai além de um feito administrativo, escrevemos a história de uma saga de inclusão social, um pacto de dignidade esculpido pela obstinação coletiva de servidoras e servidores, magistradas e magistrados, parceiros e comunidades, mostrando que a Justiça, quando se faz próxima e humana, torna-se a própria substância que alimenta a cidadania.

A semente dessa jornada foi lançada em 1995, quando o desembargador Arquilau de Castro Melo, então Corregedor da Justiça do Poder Judiciário do Acre, e Jorge Viana, então prefeito de Rio Branco, testemunharam um paradoxo doloroso: crianças nas escolas, cheias de sonhos, mas sem o nome oficial que as ancorasse na sociedade, sem o registro de nascimento. Isso impulsionou ao Presidente do TJAC na época desembargador Jersey Pacheco a enviar servidores às escolas, com a missão de registrar os brasileiros que ainda não tinham sua origem pátria reconhecida.

Rapidamente, a realidade se impôs: não eram apenas as crianças. Gerações inteiras careciam de documentos básicos. Assim, o Sesc Centro abrigou um primeiro e grandioso mutirão, com pessoas em busca de CPF, RG e, para muitos, a celebração simples de um casamento, um ato de amor e união oficializado e reconhecido. De mutirão em mutirão, a ação migrou para o Fórum Barão do Rio Branco, ganhando corpo e propósito.

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Foi em 1997 que o Projeto Cidadão sentiu o chamado das ruas, dos bairros da cidade. A partir de uma demanda da Secretaria de Segurança Pública, com o então secretário e hoje, desembargador Samoel Evangelista, atual coordenador do Projeto Cidadão, a caravana da cidadania rumou ao bairro 6 de Agosto. 

Ali, a Justiça, de mãos dadas com a segurança, plantou a ideia de uma “Caminhada pela Paz”, um manifesto que unia a retirada de documentos, palestras esclarecedoras, exposições e, pela primeira vez, a alma da arte e da cultura, trazida por artistas como José Francisco Nascimento, conhecido como Jofranas, e Tancredo Silva, transformando a ação em uma celebração da vida comunitária. 

Foi também nesse período que a ousadia do projeto se transformou em uma campanha de desarmamento, trocando armas por cestas básicas, um gesto simbólico de paz em meio à urgência pela redução da violência que se alastrava.

De 1998 a 2000, o “Mutirão da Solidariedade”, em parceria com a Ação Global do Sesi, arrecadou alimentos para os mais necessitados, os alimentos recolhidos eram distribuídos entre cozinhas comunitárias que entregavam sopas e marmitas na periferia estendendo a solidariedade para além da burocracia.

O novo século revelou novas fronteiras. Em 2000, em comemoração aos 500 anos do Brasil, o Projeto Cidadão alcançou a Aldeia Nova Olinda, no Alto Envira, Feijó, marcando seu primeiro atendimento em terras indígenas, um compromisso profundo com os povos originários. Em 2003, com a abertura da BR-364, nasceu a “Caravana da Cidadania”, um rio de esperança que percorreu as estradas, levando serviços aos moradores das margens. Expedições memoráveis seguiram, como a do Rio Tejo, no Juruá, com o apoio do Exército, e a participação na Expedição Euclides da Cunha em 2009, refazendo os passos do escritor na Amazônia, sempre com a cidadania como bússola.

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Desde 2011, o Poder Judiciário do Acre consolidou essa visão em sua Coordenadoria de Apoio aos Programas Sociais, que hoje organiza o Projeto Cidadão com uma abordagem ampliada e diversificada. Prioriza-se o atendimento a grupos em situação de vulnerabilidade: comunidades e povos tradicionais, pessoas com deficiência, a população em situação de rua, aqueles privados de liberdade, crianças e adolescentes, e pautas urgentes como equidade racial, gênero e questões ambientais. A Justiça se faz humana, se faz presente.

Ao longo dessas três décadas, o Projeto Cidadão não caminhou só. Parcerias sólidas com órgãos federais, estaduais, municipais, entidades governamentais e não governamentais se tornaram o alicerce para que a iniciativa alcançasse a impressionante marca de mais de 1.647.541 atendimentos. Os casamentos coletivos, um rito de amor e legalidade, são o símbolo vivo dessa colaboração, regularizando uniões.

Por trás de cada certidão de nascimento, de cada carteira de identidade, de cada CPF, de cada casamento coletivo, reside o propósito maior do Projeto Cidadão: assegurar à população de baixa renda, de forma gratuita e descentralizada, o acesso aos serviços públicos essenciais. É uma ponte para o direito à saúde, à previdência, à inclusão da etnia como sobrenome para os indígenas e à dignidade. Embora a missão do Judiciário seja julgar, a Justiça acreana por meio deste Projeto, ampliou sua vocação, assumindo uma função atípica, mas vital, de promotor da justiça social e do bem comum.

O Projeto Cidadão é um farol de esperança, um guardião da dignidade. Há 30 anos, ele desvenda o Acre, levando Justiça, inclusão e o direito de existir a cada pessoa, a cada lar, em cada recanto da floresta. Sua história é a história de um povo que se recusa a ser invisível e de uma Justiça que se faz tangível.

Fotos: Elisson Magalhães e acervo TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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Duas produções do TJAC são finalistas no Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça

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O reconhecimento nacional dá notabilidade a comunicação pública realizada pelo Judiciário acreano

O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) é finalista em duas categorias do Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça 2026. Dois conteúdos produzidos pela equipe de Comunicação foram selecionados: a Revista Projeto Cidadão, na categoria Publicação Impressa Especial e o vídeo A História Restaurativa de Keuren Lopes, na categoria Mídia Audiovisual.

A Revista Projeto Cidadão foi uma edição comemorativa, em alusão aos 30 anos do maior projeto social do Acre, comemorado no ano de 2025. Reunindo memórias, causos, entrevista, fotografias, ilustrações, e reportagens especiais, as páginas reconhecem a magnitude do trabalho itinerante das equipes do TJAC e registra narrativas humanizadas sobre a transformação social promovida em todos os rincões acreanos, principalmente para o público em vulnerabilidade e com barreiras físicas de acesso à Justiça.

A secretária de Comunicação do TJAC, Andrea Zílio, afirmou que a publicação representa o resultado de um trabalho coletivo, pautado pelo compromisso, dedicação e pelo constante aperfeiçoamento da comunicação institucional. Ela também agradeceu o apoio da administração do Tribunal, na pessoa do presidente, desembargador Laudivon Nogueira, pelos investimentos em infraestrutura e na valorização das pessoas, além da atuação da Comissão de Memória, fundamental para a preservação da história da Justiça acreana.

“Diariamente, nosso desafio é aperfeiçoar a forma como nos comunicamos e dialogamos com a sociedade, levando informações, serviços e aproximando cada vez mais o cidadão da atuação e da missão da Justiça acreana. Buscamos evoluir continuamente na nossa comunicação, tornando-a mais acessível, transparente e conectada com as pessoas. Ao mesmo tempo, temos o compromisso de preservar a memória dessa trajetória construída a muitas mãos. Iniciativas como o Projeto Cidadão representam esse legado e traduzem o propósito do Tribunal de promover inclusão, cidadania e acesso à Justiça para todos”, ressaltou.

A Revista Projeto Cidadão está disponível on-line: veja agora.

Toda a equipe participou da confecção da revista. Houve um amplo trabalho de pesquisa, debates sobre o projeto gráfico, diálogo com atores de diferentes gestões administrativas e épocas, sendo então idealizado, redigido e diagramado exclusivamente por servidoras e servidores da Secom. O resultado foi um produto que deu visibilidade para questões que vão desde a logística empreendida, ações dedicadas a públicos específicos como nas aldeias e para pessoas em situação de rua, até o casamento coletivo que é o destaque a cada realização.

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O lançamento da revista ocorreu em uma solenidade de homenagens no Tribunal Pleno do TJAC. Dessa produção, foram gerados também vídeos para as redes sociais e uma exposição fotográfica.

Mais do que assessoria, jornalismo propósito

Assim como o primeiro conteúdo selecionado na premiação nacional, o vídeo também é uma produção totalmente institucional. “A História Restaurativa de Keuren Lopes” é um minidocumentário produzido para ser apresentado em congressos pela equipe da gestão e também do Núcleo Permanente de Justiça Restaurativa do Judiciário do Acre, foi exibido no II Encontro Nacional Pop Rua Jud, em junho de 2025.

Com a história da personagem, procurou-se mostrar os efeitos práticos, os impactos transformadores da política de ressocialização, desenvolvida pelo TJAC. Keuren é LGBTQIA+, viveu em situação de rua e com as intervenções do Judiciário com práticas restaurativas, ela teve oportunidades e reinserção social.

A jornalista Emanuelly Falqueto fez a entrevista e a gravação foi feita pelo fotojornalista Gleilson Miranda. “Para mim já é uma vitória, eu já estou feliz! É o primeiro ano que a gente participa, enquanto departamento se inscreve e estar entre os quatro melhores do país, mostra que o nosso esforço, a reestruturação do departamento e a liberdade do processo criativo permitiu que a gente fizesse mais que um trabalho rotineiro de assessoria, mas sim jornalismo com um propósito”.

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Essa é a 24ª edição do Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça, que é uma iniciativa do Fórum Nacional de Comunicação e Justiça (FNCJ), organização que reúne profissionais de comunicação do Sistema de Justiça para fortalecer a transparência e a aproximação com a sociedade.

O resultado final será revelado na cerimônia que encerra o XX Congresso Brasileiro dos Assessores de Comunicação do Sistema de Justiça, no dia 31 de julho.

Fotos: arquivo Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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